


O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é um distúrbio do neurodesenvolvimento que afeta crianças, adolescentes e adultos em todo o mundo. Ao longo da vida de um indivíduo, o TDAH pode aumentar o risco de outros transtornos psiquiátricos, fracasso educacional e ocupacional, acidentes, criminalidade, incapacidade social e vícios.
Com relação à etiologia do transtorno, nenhum fator de risco único é suficiente para causar o TDAH. Na maioria dos casos, O TDAH é causado pela associação de vários fatores de risco genéticos e ambientais, cada um com um pequeno efeito individual, agindo em conjunto para aumentar a suscetibilidade.
O TDAH é heterogêneo, associado ao comprometimento em diferentes intensidades nos múltiplos domínios cognitivos, que cursa com uma ampla diversidade de prejuízos funcionais pessoais, sociais, acadêmicos e laborais; do ponto de vista neurobiológico, apresenta uma variabilidade de alterações estruturais e funcionais cerebrais associadas a ele.
Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2021 teve como objetivo avaliar a prevalência global de TDAH em adultos na população geral. A pesquisa constatou que a prevalência de TDAH persistente em adultos (com início na infância) e TDAH sintomático em adultos (independente do início da infância) diminuiu com o avanço da idade. Ajustando para a estrutura demográfica global em 2020, a prevalência de TDAH persistente em adultos foi de 2,58% e a de TDAH sintomático em adultos foi de 6,76%, traduzindo-se em 139,84 milhões e 366,33 milhões de adultos afetados em 2020 globalmente.
TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento com início na infância e se desenvolve com trajetórias altamente variáveis em diferentes aspectos, como com relação a:
Esses aspectos podem flutuar e mudar com o passar dos anos. Embora alguns pacientes com TDAH apresentem uma trajetória negativa e pesada, outros podem ter remissão dos sintomas e até transformar alguns déficits em comportamentos adaptativos, tendo uma vida altamente bem-sucedida.
O reconhecimento precoce e o tratamento ideal podem ser fatores de melhora para muitos pacientes com TDAH ao longo da vida.
O TDAH tem um efeito adverso na expectativa de vida, pois predispõe os indivíduos a se envolverem em uma série de atividades adversas à saúde e ao estilo de vida. A desinibição comportamental explica mais de 30% da variação na expectativa de vida em pessoas com o transtorno, a inibição comportamental é uma das principais funções executivas que rotineiramente está deficitária no TDAH: ou seja, o TDAH e seus déficits de função executiva subjacentes, principalmente relacionados a alta impulsividade ou desinibição, explicam a predisposição para se envolver em várias atividades adversas relacionadas à saúde que resultam em uma expectativa de vida mais curta.
As evidências até o momento são mais do que suficientes para justificar as preocupações com relação ao impacto
adverso substancial que o TDAH representa para a qualidade de vida a longo prazo e a expectativa de vida reduzida.
O TDAH cursa com impacto negativo para os individuos afe-tados, sua família, seu empregador, sua seguradora, a agência de saúde pública e a sociedade. Pesquisadores associam o transtorno ao aumento da mortalidade na meia-idade. e defendem que o TDAH seja visto como um transtorno de saúde pública, não apenas de saúde mental. Também alertam para a necessidade de intervenções em algumas condições e comportamentos que podem estar presentes em crianças. adolescentes e adultos com TDAH, e atuam como fatores que causam a redução da expectativa de vida, como obesidade. tabagismo e ingestão excessiva de álcool.
A relação entre o TDAH e a expectativa de vida reduzida e o impacto negativo na qualidade de vida deixa clara a necessidade do tratamento do distúrbio ao longo da vida. Dessa forma, a intervenção farmacológica do TDAH provavelmente será útil, pois proporcionará uma redução em muitos comportamentos adversos e de risco que pessoas com TDAH se envolvem.
O TDAH tem sido associado à diminuição do funcionamento social, educacional, vocacional e de autocuidado, bem como a taxas mais altas de lesões acidentais. O impacto do TDAH não tratado também inclui o tempo e a energia que requer dos indivíduos e daqueles que os apoiam para lidar com os desafios relacionados ao transtorno.
Boland et al. conduziram uma revisão sistemática e metanálise para avaliar os efeitos da medicação para TDAH e o impacto na funcionalidade dos individuos com o transtorno. Dos 40 artigos incluidos no estudo, a maioria sugere um efeito protetor robusto do tratamento medicamentoso do TDAH: nos Sintomas dos transtornos de humor comórbidos ao TDAH, nas taxas de suicídio, criminalidade, transtornos por uso de substâncias, acidentes e lesões, acidentes automobilísticos e melhora acadêmica. Esses achados sugerem que as intervenções farmacológicas para o TDAH estejam associadas a reduções nos riscos para uma ampla gama de prejuízos funcionais associados, apoiando os esforços voltados para o diagnóstico precoce e o tratamento de indivíduos com o transtorno.
CRM SP 213865 | RQE 110611
CRM MG 71304 | RQE 59605